...E o silêncio venceu
Depois de tantas perguntas
E tantos chamados
Sem respostas... O silêncio...
Eu vi um garoto tornar-se homem
E o homem tornar-se sombra
Ao perceber que os sonhos
Podem ser escritos e apagados...
É estranho como
Em segundos a vida parece
Sorrir
E por horas lhe faz chorar...
Sim, eu vi o sorriso se perdendo
E os sonhos tornando pesadelos
Pois os pesadelos são melhores
Todos nós precisamos de verdade...
Para que achar que tudo terá sentido
Se não há sentido para o nosso partir?
Para que tentar encontrar explicação
Se existe sempre outra reposta para a questão?
Eis que contemplo o menino invertido
Seus olhos negros de tão azuis
Seus lábios doces tão amargos por existir
As mesmas mãos que desejam, afastam...
E o silêncio desceu seu véu
Como nuvens negras em um dia
Que, subitamente se escurece,
Escondendo a vida e o calor...
Para que existe a ideia do Oasis
Sendo que percebemos que nada mais
É do que simples miragem
Uma loucura de nossa própria imagem?
Para que falar sem ninguém ouvir
É como mendigar moedas em uma cidade surda
Não seria a pouca importância
A pior ferida pulsante em nosso interior...
É como pedir água e alguém negar
Enquanto se lava sua própria calçada
É como pedir os restos de sua comida
Antes dela atirar seus restos no lixo...
E assim, o silêncio costura os lábios
Tampa os olhos e trancafia o coração
Pois o que adianta ter pouco para pedir
Sendo que ninguém se importa em dar?
E se ninguém se importa em entregar
Para que pedir e sofrer com o fato
De todos parecerem nem se importar...
E o silêncio finalmente venceu
Os sonhos se desfizeram
Como arco-íris de calçadas
Que morrem após fechar uma torneira.
E às vezes é melhor permanecer em silêncio
do que falar, ou pedir, ou tentar chegar
Em um lugar que somente você precisa alcançar
Para tudo fazer apenas um pouco de sentido transitório.