sexta-feira, 9 de março de 2012

E o silêncio venceu...

...E o silêncio venceu
Depois de tantas perguntas
E tantos chamados
Sem respostas... O silêncio...

Eu vi um garoto tornar-se homem
E o homem tornar-se sombra
Ao perceber que os sonhos
Podem ser escritos e apagados...

É estranho como
Em segundos a vida parece
Sorrir
E por horas lhe faz chorar...

Sim, eu vi o sorriso se perdendo
E os sonhos tornando pesadelos
Pois os pesadelos são melhores
Todos nós precisamos de verdade...

Para que achar que tudo terá sentido
Se não há sentido para o nosso partir?
Para que tentar encontrar explicação
Se existe sempre outra reposta para a questão?

Eis que contemplo o menino invertido
Seus olhos negros de tão azuis
Seus lábios doces tão amargos por existir
As mesmas mãos que desejam, afastam...

E o silêncio desceu seu véu
Como nuvens negras em um dia
Que, subitamente se escurece,
Escondendo a vida e o calor...

Para que existe a ideia do Oasis
Sendo que percebemos que nada mais
É do que simples miragem
Uma loucura de nossa própria imagem?

Para que falar sem ninguém ouvir
É como mendigar moedas em uma cidade surda
Não seria a pouca importância
A pior ferida pulsante em nosso interior...

É como pedir água e alguém negar
Enquanto se lava sua própria calçada
É como pedir os restos de sua comida
Antes dela atirar seus restos no lixo...

E assim, o silêncio costura os lábios
Tampa os olhos e trancafia o coração
Pois o que adianta ter pouco para pedir
Sendo que ninguém se importa em dar?
E se ninguém se importa em entregar
Para que pedir e sofrer com o fato

De todos parecerem nem se importar...

E o silêncio finalmente venceu
Os sonhos se desfizeram
Como arco-íris de calçadas
Que morrem após fechar uma torneira.

E às vezes é melhor permanecer em silêncio
do que falar, ou pedir, ou tentar chegar
Em um lugar que somente você precisa alcançar
Para tudo fazer apenas um pouco de sentido transitório.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O que pode piorar?

É preciso acreditar em algo, caso queira em algum lugar chegar
Pois, qual seria o motivo de despertar amanhã, sem saber o que encontrar?
Viver é algo simples mas tão perigoso, pois a ciência vem e fragmentos vão
Você consegue olhar para si e achar que tudo terminará bem?

Já andei por caminhos que de início, pareceram o melhor caminho para o futuro
mas com o passar dos dias e com os desgastes da existência, foi perdendo sua força
Agora olho para trás e vejo que não existem caminhos fáceis, mas duros
Contudo, é preciso perceber que aquele que continua é por que insiste no que quer... Ouça

Os hinos de batalha que ecoam pelo amanhã escondido atrás das nuvens
As armas clamam por suor, lágrimas e esforço, e se você estiver vivo
Tem que lutar, não existe escolha, ou luta ou simplesmente perde o sentido
De caminhar em busca de tudo aquilo que acredita ou não...

A mentira e a ilusão pode ser uma aliada quando perdemos a razão
Com tantas lembranças doloridas, para que acreditar em um sorriso?
Sendo que as vezes, tudo que nos resta é uma fé que não entendemos
Talvez seja o não interior dizendo que nem sempre será ruim assim...

Por que no fundo de todo poço, percebemos que é melhor acreditar que possa ter algo melhor
Logo acima de nossas cabeças, pois mesmo assim, não teríamos razão para as paredes escalar
E, saiba que é melhor acreditar naquela luz difusa ao longe do que olhar para os lados e nada ver
E é para onde vou correr...

Pois mesmo tendo cicatrizes espalhadas em meu coração, não há motivo para deixar de acreditar
que um dia, algum tipo de sol pode raiar, e se como dizem, aqui é uma escola
Como poderíamos aprender como viver sem assumir as responsabilidades do que vivemos?
Sendo que para a pseudo-felicidade, nós também temos nossa parte para fazê-la existir...

Quando as esperanças se partem refletida no espelho da existência quebrada
É possível avistar pequenos fragmentos do que fomos em cada pedaço espalhado
A fé pode perder a sua força em seus atritos e suas decepções
Mas é acreditar que nos leva um pouco além de nossas razões...

Existir não é fácil, muito menos acreditar em algo que não acreditamos mais
Mas é necessário duvidar do certo para perceber que o errado pode ser capaz de mudar
como um sonho que se perde ao despertar, mas quem sabe um dia
Ele simplesmente continue, após nosso tão pesaroso levantar...

Quando se acredita, se luta para chegar em algum lugar
e percebemos nosso lugar no universo e percebemos que somos uma peça
procurando um lugar para simplesmente se encaixar...
Siga, por mais difícil que seja, precisamos de alguma forma acreditar...

Se não, me diga qual a razão de você continuar
Sendo que não espera nada de amanhã
Sendo que não faz nada para o agora melhorar
O hoje nada mais é que um reflexo do amanhã...

O que pode piorar?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Eu acabei aprendendo

Talvez você não saiba exatamente o que sou
e muito menos o que vim fazer aqui
Bem, devo confessar que minha esperança
Era lhe trazer um sorriso inocente quanto uma criança.

Mas, talvez não tenha tocado a música certa
Pois me senti muito mal depois que você me deixou
No meio de um salão de rostos desconhecidos
Era um antigo espelho que do nada se quebrou...

Pois é, algumas coisas não são exatamente como queremos
Talvez, insistimos, por que sempre queremos tudo de nosso jeito
Mas querida, eu acabei aprendendo que em um jogo a dois
Sempre existirá alguém do outro lado da mesa para dar sentido.

Sei que pode ser tarde demais para fazer do jeito certo
Na verdade, nunca se é quando ainda achamos que podemos
Nossas peças ainda estão sobre o tabuleiro da vida
Por que não tentamos uma nova partida antes do amanhecer?

Eu acabei aprendendo que as coisas não são tão fáceis, quanto queremos
Eu acabei aprendendo que para se ter algumas coisas, é preciso ser mais
Eu acabei aprendendo que somos uma parte do problema
E que muitas vezes esquecemos de perceber isso...

Talvez você ainda tenha um pouco de tempo para ouvir minhas palavras
Talvez eu acabe aprendendo um pouco mais enquanto estiver por perto
Talvez eu acabe aprendendo que todos nós somos exatamente como devemos ser
Talvez ainda exista uma última dança, para nós dois...

É que tenho tanta coisa para confindeciar ao pé de seu ouvido
Tantas confissões transbordando neste peito selvagem e faminto
E eu ainda não decorei perfeitamente o seu sorriso sereno
Mas paciência, existir é algo que infelizmente é finito.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Deito-me no silêncio desta minha escuridão

Deito-me no silêncio desta minha escuridão
E desenho na minha mente fatos a recordar
Como lâminas cortantes dividindo os restos
De uma alma que veio a acreditar...

Em sonhos, loucuras de uma mente poética
Em uma selva cinza de vazio e cimento
Onde ervas daninhas afogam sentimentos
Que tentam vencer a sua efêmera estética...

Eu tentei pegar carona nessa loucura outra vez
Achei que, conhecendo as estradas, poderia chegar ao meu destino
Mas percebi que em cada esquina, uma placa diferente
Me dizendo o que precisava saber e que já sabia...

Agora, sinto o motor aos poucos enfraquecendo
O tempo passa rápido e o anoitecer derradeiro se aproxima
Mas ainda possuo segundos para algo fazer valer a pena
Sei que não levarei nada comigo, além do que guardo aqui dentro...

Sei que alguns sonhos não poderei realizar
mas aqueles que dependem de minha própria mão
Não custa mais uma vez me esforçar a tentar
Sei que nenhuma vida poderei mudar, mas pelo menos

De alguma forma irei mostrar, ser exemplo ou algo mais
mostrar o caminho que não devemos seguir,
Descobrir que aquele que não vive para a alma
Não percebe, mas vê o corpo simplesmente ruir...

No mais, eu vou seguir meu caminho
Sem saber onde vou parar, sei que dei cabeçadas
Mas um dia tudo acaba e quando isso acontecer
Talvez encontre um pouco de paz

antes de vez escurecer...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Agora eu olho para minha vida

Agora eu olho para minha vida
E tento perceber onde comecei a perder a fé
Foram tantas juras levadas ao vento
Agora, sozinho aqui, eu percebo...

Quantos amanhecer tive... Quantos entardecer
Quantas palavras escrevi jurando o que não era meu
Como uma criança, pintei e entreguei meus sonhos
Que enquanto vivia, ia picando lentamente...

Eu achei que este caminho seria mais fácil
mas como adivinhar o amanhã sem chegar nele?
Eu precisei ir... Talvez acreditei demais
Naquilo que não deveria crer...

Mas, como uma criança, voei quando me ofereceram os braços
Sempre quis um lugar para poder descansar,
um lugar para poder olhar para trás e sorrir vencedor
Por ter no fundo, alguma razão para a dor...

Mas, como todos os sonhos, tudo acaba se desfazendo
como a madrugada de domingo vencida pelo amanhecer de segunda
Um suspiro compassivo coloca o devido fim em novos sonhos
Enquanto a realidade germina em meu peito aberto.

Como uma trepadeira se esgueirando por toda minha alma
O silêncio se faz no espírito, os olhos sorriem para o vazio
Pois quando não se tem cobertores, é melhor comemorar o frio
mas não importa, um dia, todos nós deixaremos de navegar o rio...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Demorou algum tempo, mas agora acho que notei

Demorou algum tempo, mas agora acho que notei
E devo pedir desculpas, por toda dor que causei
Acho que tenho andando na contra-mão da existência
Perdido em minha eterna e estonteante carência...

Acho que forcei demais a barra da minha realidade
Eu deveria ter-me olhado no espelho e notado minha face
Nos meus olhos carrego muito mais que apenas idade
Sou um poeta que às vezes simplesmente nasce...

Perdoe-me por ser exatamente como eu sou, acabaria com tudo
mas não sou tão corajoso e mesmo assim, ainda tenho esperança
Que exista alguma razão para tudo que existe neste mundo
Ainda mantenho meus sonhos de criança...

Guardados nas profundezas do meu ser, onde o sol não alcança
Pois em minha superfície, nada mais sou que uma sombra
Que pede desculpas para todos que um dia feriu,

A todas as sementes que plantou e que não regou
Acho que me perdi pelo caminho e hoje, sinto na pele
O que durante muito tempo fiz sem compreender

Sorriem enquanto caio em mim e me desculpem
por ser o que sou...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vou esperar por uma nova primavera nascer

Vou esperar por uma nova primavera nascer
Trazendo o desabrochar para dentro do peito
Como um sorriso enclausurado, esperando romper
A realidade que me prende, sem qualquer jeito.

Eu bem queria deixar você procurando seu destino
Mas viver para nós parece mais uma escura prisão
Parece que sempre nos deparamos com desatinos
Ah meu querido coração, seus restos estão pelo chão.

E estou cansado de ficar por aí recolhendo
Remendando as migalhas da fé que ainda existe
Vivemos em meio de outono e inverno que persiste
E estou ficando cansado de ficar me remoendo...

Eis que das trevas e do silêncio faço meu lar
Sem chances de algum desconhecido me expulsar
Ninguém pode dizer que desisti e não tentei

Por que perto de meu próprio fim, aproximei
Mas de todas as formas, insisti e cheguei
Perto da conclusão que do amor, não sou rei.